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sábado, 10 de novembro de 2007

DEIXAR TUDO POR CRISTO


Lc 14,25-33
Geraldo Ferreira Bendaham


No Evangelho de Lucas Jesus caminha para Jerusalém. Na caminhada anunciava o Reino. Enquanto caminhava, “grandes multidões o acompanhavam. Voltando-se, ele lhes disse: Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” e disse mais: “qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”. Essas são as condições para o seguimento de Jesus.

Recordemos que S. Lucas esta escrevendo tendo presente às comunidades cristãs dos anos 70 ou 80 depois da Ressurreição de Jesus. Provavelmente comunidades com 35 a 45 anos de existência no caminho de Jesus. Certamente essas Palavras do Mestre Jesus, Filho de Deus, a multidão e especialmente a cada pessoa é um convite radical ao seu projeto. É na caminhada do povo com Deus que se aderi o seu projeto ou abandona-o. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, temos vários exemplos de seguimento radical ao projeto de Deus. Abrão, por exemplo, é chamado por Deus a deixar tudo e seguir para outra terra: “o Senhor disse a Abrão: “deixa a tua terra, a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te indicar. Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos. (...) E todas as famílias da terra serão em ti abençoadas” (Gen 12, 1-3). Do mesmo modo aconteceu com Moisés (Ex 3, 14), Paulo (At 9, 4) Clara de Assis, Tereza de Calcutá e tantas outras pessoas que não ficaram somente no meio da multidão anônima, seguindo de longe, preocupadas com seus negócios, mas corajosamente aderiram o projeto do Reino. Esses exemplos demonstram que é possível deixar tudo para seguir a Deus. Deixar significa entregar a própria vida nas mãos de Deus e tornar-se uma pessoa seguidora à sua vontade. Obviamente o seu projeto é a realização existencial de todos os seus filhos e filhas em todas as suas dimensões da vida, até a vida eterna. Como dizia S. Agostinho comentando o salmo 145 : “o nosso coração vive inquieto enquanto não repousar em Deus”. De modo que somente aceitando o convite de Jesus para segui-lo encontraremos a resposta que sacia todas as nossas inquietudes e desejos. Às pessoas que deixaram tudo para segui-lo, por causa do Evangelho não tem nenhum “que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna.(Mc 10, 30).

Nesse sentido vale a pena lembrar as palavras do Papa João Paulo II em 1991 por ocasião da visita ao Brasil e beatificação de Madre Paulina, hoje Santa Paulina: “Mais uma vez vos digo: O Brasil precisa de Santos, de muitos Santos! A Santidade é a prova mais clara, mais convincente da vitalidade da Igreja em todos os tempos e em todos os lugares”. Certamente para vivenciar a experiência de santidade é necessário encontrar Cristo. Assim aconteceu com S.Francisco e continua acontecendo pela ação do Espírito com aqueles que generosamente respondem ao chamado de Jesus com a própria vida a serviço do Reino.

O nosso sim ao seu projeto e, portanto de despojamento total, ocorre no serviço em favor dos irmãos e irmãs necessitados que são vitimas da exclusão social. “A santidade se prova na vida do dia-a dia em favor dos irmãos, como fruto da união com Deus” (J. Paulo II, 1991). Eis o desafio!

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