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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

AOS DISCÍPULOS É CONFIADO REINO

Geraldo Ferreira Bendaham
“Não tenhas medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o reino”. É impossível não sentir uma certa inquietação existencial, sem assustar-se, diante da missão confiada por Jesus aos seus discípulos. É possível que venha a memória à mesma experiência espiritual ocorrida no coração de Moisés, Elias, Jeremias, Pedro ou Paulo e de tantas pessoas que seguem Jesus. Assim como eles, os novos discípulos são consolados interiormente pelo Espírito Santo, sem abandonar a missão. As palavras de encorajamento vêm do próprio Jesus: “coragem eu venci o mundo”, “estou convosco todos os dias”, “não tenhas medo pequenino rebanho” de ser profeta do Reino em todos os ambientes da sociedade.

Nos gestos, palavras e ações de Jesus o Reino acontece. Algo de novo acorre na vida das pessoas: os doentes são curados, os cegos recuperam a vista, os pecadores são perdoados, os pobres são evangelizados e bem-aventurados.Quem encontra Jesus muda de vida, como ocorreu na vida de Zaquel que dá aos pobres 50% do que tem. Com o Reino novas relações de convivência são estabelecidas: não há maior ou menor; todos são irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo Pai. Ensinou a partilhar multiplicando pão e peixe; ensinou o amor, oferecendo sua vida em sacrifício por todos, ensinou a paz não revidando aos seus perseguidores, ensinou o perdão, perdoando os pecadores. Não são somente palavras, mas realidades evangélicas possíveis de viver hoje.

Esta profunda e autêntica experiência do Reino é confiado ao “pequenino rebanho” dos discípulos que são convidados a viver com desprendimento total: “vendei vossos bens e dai esmola”. As esmolas do evangelho não são as moedinhas que sobram, mas a partilha dos bens e da vida como fez Zaquel. São estes gestos de desprendimentos dos pequenos que se tornam os fermentos na massa, parábola contada por Jesus, sinais de uma nova sociedade. Aos poucos os sinais do Reino pregado pela comunidade vão crescendo na sociedade. São estes gestos das pequenas ou grandes comunidades que fazem a diferença no mundo que absolutiza os bens de consumo. Essa experiência de entrega total a serviço do Reino nunca pode ser esquecida pelos discípulos, pois o Senhor pode vir a qualquer hora e será rigoroso com quem conhece sua vontade, mas não a vive. É preciso está sempre vigilante, pois “a quem muito foi dado, muito será pedido”. Aos discípulos foi confiado o Reino.

ORAÇÃO, DIALOGO DE GRATIDÃO.


Geraldo Ferreira Bendaham

Os discípulos de Jesus pedem que os ensine a orar (Lc 11,1-13). Esse pedido dos discípulos se faz ecoar ao longo da historia no coração de cada cristão e cristã e na vida da Igreja, pois somos todos aprendizes da oração.

Jesus é o nosso mestre da oração. É somente com Ele que se aprende a orar. Recordemos que Jesus é uma pessoa que crescia em “sabedoria e graça” (Lc 2, 40), sabia que o Espírito Santo estava com Ele (Lc 4, 18) e sendo de condição divina não se apegou a isso, mas viveu em tudo a sua humanidade (Fil 2, 5). A sua relação de intimidade era tão profunda com o Pai que chegava a afirmar: “Eu e o Pai somos um” (Jo 14, 11). Nesse dialogo profundo de oração, Jesus conhecia a vontade do Pai.

Somente contemplando a vida de Jesus nos evangelhos temos as mesmas condições espirituais de realizar a mesma experiência, ou seja, vivermos como Jesus viveu, em intimidade com o Pai. Uma união tão profunda a ponto de afirmamos a certeza de S. Paulo: já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Com essa mesma consciência viveram muitos cristãos e cristãs ao longo da história do cristianismo. Temos vários exemplos: Santa Tereza, Santa Rita, Tereza de Calcutá, João Paulo II e tantos que viveram na intimidade com a Trindade. Com certeza podemos, com a graça do Espírito Santo, realizar hoje a mesma experiência de Jesus, não obstante as dificuldades que nos cercam.

Mas hoje isso não é fácil, pois estamos vivendo em sociedades que fragmentam as relações. As pessoas encontram-se de certo modo fragmentadas em sua existência e também em sua consciência. É fácil constatar essa realidade fracionada em todas as dimensões da vida. Pensemos por exemplo na falta de ética na política. Um problema histórico que envolve todas as nações do mundo que rebenta a existência e influencia negativamente a uma consciência errônea das gerações na pratica cotidiana. O mundo é dos mais espertos na política ou na economia. Podemos pensar também na dimensão sexual, explorada pelo consumismo, que vivido de modo equivocado pode causar sofrimentos. Esse modo de viver estilhaça a realidade das pessoas e dificulta a vivência da espiritualidade evangélica.


Por isso, a oração com absoluta certeza é o caminho que recupera o sentido da existência, dá unidade ao ser e fortalece as ações. Com a vida de oração, ou seja, com esse dialogo de gratidão permanente ao Deus da Vida é possível conhecer melhor a finitude humana e a grandeza do amor do Pai a humanidade. É possivel falar com o Pai Nosso de nossas alegrias, pecados e esperanças. É possível conhecer a vontade do Pai em Jesus Cristo e amar melhor o nosso próximo. Quem ora como Jesus, muda as suas relações consigo e com o outro. Agora, quem ora cuida melhor do outro porque conhece melhor a si, cuida também das coisas do Pai, hoje a natureza pede socorro. É nesse sentido que somos convidados a rezar e meditar o Pai Nosso. Esta oração revela a intimidade de Jesus com o Pai. Era assim que Jesus orava. Rezemos com as mesmas Palavras de Jesus:

Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, vem a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamo sa quem nos tem ofendido, não nos deixei cair em tentaçãomas livrai-nos do mal. Amém.