EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL DE SÃO PAULO: Encontro com Cristo .
Geraldo Ferreira Bendaham
INTRODUÇÃO
Iniciamos esta breve reflexão sobre São Paulo recordando do Evangelho de São João quando disse: “O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3, 8). Nesta reflexão contemplaremos a vida de Paulo e veremos que o Espírito de Deus através da comunidade cristã tocou seu coração. Paulo contará que a mudança de sua vida ocorreu devido a um encontro com Cristo.
Este acontecimento será fundamental para todo seu ser ontológico. A mudança não será somente de mentalidade, mas abrangerá toda a sua existência. Depois deste encontro, Paulo integra em sua vida a Vida de Cristo, até sua respiraçao falará de Cristo. Agora o seu viver é Cristo. Com esta paixão por Cristo, Paulo tornará o missionário que irá fora de Jerusalém, indo até os povos considerados pagãos, com afirma Fabris: “Paulo é o protagonista principal (...) que levará a mensagem cristã fora da Palestina e entre os pagãos”[1]. É neste sentido que o sopro do Espirito Santo contagiou toda a vida de Paulo conduzido ao coração de Cristo, mediante a sua liberdade. Paulo aceitou de caminhar com Jesus, viver e comunicar seu Evangelho sendo missionário entre aqueles que ainda não conheciam “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).
Assim como Jesus sabia, que o Espírito do Pai estava com Ele para anunciar a Boa Nova aos pobres, e mostrou isso lendo o texto do profeta Isaias (61,1-2), não será exagero afirmar, que o mesmo texto escrito por Lucas, serve para ser aplicado a Paulo depois de seu encontro com Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor”. (Luc 4, 18-19).
Foi exatamente o que Paulo realizou em sua atividade missionária. Sua missão foi anunciar o Evangelho, isto é, anunciar a Pessoa de Cristo, crucificado, morto e ressuscitado aos povos. É neste sentido que Paulo afirma: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho”! (1 Cor 9,16). Esta é a missão em todas as épocas da Igreja. Paulo não somente pregou, mas fundou várias comunidades e acompanhou com sua paternidade espiritual, concretizando a palavra falada em carne, ou seja, em Igreja corpo de Cristo.
Veremos agora um breve relato da vida de Paulo para nos situar históricamente. Em seguida analizaremos teologicamente e espiritualmente o seu encontro com Cristo na estrada de Damasco e algumas breves consequências da sua vida a partir de sua trasformação interior, sem esquecer que estamos diante de um agir de Deus que vai além de nossa compreesão, mas que é possível, a exemplo de Paulo, experimentar hoje a mesma experiência de amor.
1. BREVE RELATO DA VIDA DE PAULO
Ao olharmos para a vida na perspectiva do Criador, veremos que Ele tem um plano de amor para cada vida e para toda a natureza. Somos pessoas especiais para o Pai. Ele nos escolheu, pois já estamos presente em seu plano de amor desde toda a eternidade. O profeta Jeremias exprime bem está idéia quando afirma: “antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações”. (Jer 1,5). Certamente Paulo já era um homem escolhido por Deus. No entanto a pessoa pode aceitar o rejeitar o chamado de Deus.
No primeiro encontro de Paulo com a Igreja não houve “adesão, mas uma violenta repulsão”[2]. Este fato ocorreu no encontro com a comunidade cristã durante a morte de Estevão: “Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo” (At 7,58). É provável que testemunho do martírio de Estevão por causa de Cristo, tenha impressionada muito a Paulo. Neste sentido afirma o Papa Bento XVI: “O vínculo profundo que une Cristo ao seu primeiro mártir Estêvão é a Caridade divina: o mesmo Amor que levou o Filho de Deus a despojar-se a si mesmo e a fazer-se obediente até à morte de cruz (cf. Fil 2, 6-8), estimulou depois os Apóstolos e os mártires a dar a vida pelo Evangelho”[3] . Assim como Estevão, muitos cristãos e especialmente Paulo, contagiados pela Caridade divina, ou seja , Cristo, ofereceram suas vidas através do martírio pelo Reino de Deus.
Diante deste encontro, mesmo que violento, do qual Paulo participou, ficou o estímulo e o amor de Estevão por Cristo gravado em sua memória. Na sua experiência da rigorosa aplicaçao da lei, Paulo não havia visto algo semelhante de tamanha doação. Somente depois que Ele faz a experiência com Jesus na estrada de Damasco (At 9,1-19a) reconhece a comunidade eclesial.
1.1. Alguns dados biográficos:
Podemos obter informações biográficas de Paulo, nascimento, cidadania e formação, a partir das suas cartas e dos escritos lucanos dos Atos dos Apótolos.
a) Nascimento: Paulo nasce na cidade de Tarso na província romana da Cilícia no sec. I, d.C[4], provalvelmente entre o ano 5 a 15[5], “aguns anos depois de Cristo”[6]. Tarso era uma cidade muito importante economicamente e culturalmente como afirma o próprio Paulo: “Eu sou judeu, natural de Tarso, na Cilícia, cidadão dessa ilustre cidade” (At 21,39). Paulo era de família judaica e na sua casa se observava rigorosamente os princípios do judaismo farisaico[7], pois sua família pertencia a tribo de Bejamim. Assim afirma Paulo sobre sua experiência no judaismo: “Circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu” (Fil 3,5).
b) Cidadania: Paulo era cidadão romano e havia dois nomes. A cidadania romana, algo não fácil de obter em uma província romana, Paulo herdou de seus pais que foram prisioneiros de guerra dos romanos e escravos de um romano que lhe concedeu de serem cidadãos romanos, inclusive com direito ao provocatio que dava direito a apelar a um juiz superior em Roma e a muneris publici vacatio que dava o direito de ser dispensado do serviço militar[8]. Quanto ao seu nome, o primeiro, Saulo, é um nome hebraico que faz referência ao primeiro rei de Israel; o segundo, Paulo, é latino e faz parte de sua cidadania romana[9]. Podemos pensar que o nome tavez não represente uma mudança radical e profunda, no entanto para Paulo, depois do encontro com Jesus, nota-se um novo Paulo que deixou a vida passada e permanece no caminho de Cristo. Podemos dizer que agora Paulo é um novo homem, assim ele se descreve:
Mas tudo isso, que para mim eram vantagens, considerei perda por Cristo. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com ele. Não com minha justiça, que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé. Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos. Não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo (Fil 3, 7-14).
Como se ver na carta aos Filipenses, Paulo é uma nova pessoa, pois deixou tudo aquilo que ele considerava vantagem, possívelmente a sua cidadania romana, para ser um novo cidadão de Cristo. Agora, há em Paulo uma nova cidadania, a celeste, isso significa viver neste mundo com toda a verdade, justiça e amor, a partir da orientaçao celeste, ou seja, de Cristo[10], pois quem está em Cristo é uma nova pessoa como afirma o próprio Paulo: “Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes” (Rm 13, 13).
c) Formação: Paulo nasceu na cidade de Tarso, mas seus estudos foram realizados em Jerusalém, tendo como mestre Gamaliel, “um dos principais dotores judeus do seu tempo”[11]. O próprio Paulo conta sua história: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje” (At 22,3). Como podemos observar Paulo realmente foi preparado por Deus ao longo de sua vida, mesmo quando era judeu e observante da Lei.
Segundo Kliesch, para Paulo,
O amor pela lei e o sentir-se pleno do espírito e da força da religião judaica, deve ter provocado nele, já a tempo, o desejo de torna-se um futuro doutor da lei. Provavelmente por este motivo aprendeu a atividade de tecedor de tendas (...) ou fabricador de tendas (At 18,3), porque um doutor da lei era obrigado a desenvolver a sua função gratuitamente[12].
Como judeu fariseu, observante da lei judaica, Paulo não estava longe de Deus, apenas tinha absolvido com fidelidade e fanatismo a Lei, ao ponto de impor a sim mesmo para cumprimento rigoroso dos preceitos. Nesse sentido afirma o Papa Bento XVI: “Paulo, antes da sua conversão não era um homem longe de Deus e da sua Lei. Ao contrário, era um observante, com uma observância fiel, fim ao fanatismo. Na luz do encontro com Cristo compreende, porém, que havia procurado construir a si mesmo, a sua própria justiça, e com esta justiça vivia para si memo”[13]. Graça a luz de Cristo e abertura de seu coração, Paulo inicia um novo olhar sobre si a parti de Deus.
Nota-se que o mesmo vigor, entusiamo e dedicação, próprio da existência de Paulo, vão continuar com ele, porém a sua energia pessoal não será mais sua, mas de Cristo. Agora tudo em sua vida é de Cristo, como diz após sua o acontecimento de Damasco: ”Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fil 1,21) ou “eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Paulo não é anulado, mas trasformado a imagem de Cristo, a qual é chamado todo ser humano.
2. ENCONTRO COM CRISTO
Os dados acima da vida de São Paulo nos situa em um contexto histórico. Isso significa que Paulo viveu em uma determindada época e em um contexto muito encarnado na história. Isso pra dizer que se trata de um acontecimento humano-divino que continua a ocorrer na vida daqueles que respondem sim ao chamdo de Deus. O evento salvífico ocorrido na vida de Paulo esta na linha da tradição bíblica do AT. É Deus que se revela ao seu povo.
Neste sentido podemos recordar o chamado de Moisés, Jáco, Samuel e tantos que ouviram a voz do Senhor. Muitas, assim como Paulo não aceitaram o agir de Deus no primeiro momento, talvez por imcompressão e limite humano. Paulo percebeu a ação de Deus em sua vida no processo da caminhada. Foi na estrada de Damasco, quando Paulo estava em uma missão para prender os cristãos, que ocorreu o Econtro com Cristo que trasformou a sua vida. Certamente não foi um acontecimento mágico, mas um Encontro onde Paulo percebeu que, perseguindo a Igreja, estava perseguindo Cristo. O acontecimento de Damasco revelou à Paulo a presença e a voz de Deus. Talvez, hoje, seja também assim. Somente através de um acontecimento forte em nossa vida sejamos capazes de nos abrir às exigências de seu amor. Seguindo esta linha do encontro de Deus com os seus eleitos, contemplaremos o evento de Damasco numa pespectiva teológica esperitual.
2.1. Evento de Damasco
Meditaremos espiritual e teologicamene o evento de Damasco a partir dos escritos Lucanos e de alguns textos das cartas de Paulo. Recordemos que a intenção de Lucas nos Atos dos Apóstolos não é fazer uma reportagem ou uma crônica, mas apresentar uma composição literária que obedece a uma certa visão da história e do plano de Deus que guia a história humana[14]. Lucas apresenta a experiência da comunidade primitiva a Luz do Espírito Santo. De uma Igreja que se abre a todos os povos e nações, ou seja, sair de Jerusalém, obedecendo ao apelo de Jesus que mandou anunciar o Evangelho a todos os povos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28, 18-19). Uma Igreja missionária iluminada pelo Espírito Santo.
É nesta perspectiva eclesial e teológica que Lucas apresenta o relato do encontro de Paulo com Cristo na estrada de Damasco. Uma Igreja que caminha, perserguida e mártire, mas que se sente feliz por saber que o Filho de Deus morto e ressuscitado caminha no meio da comunidade e dá sentido ao novo modo de viver. Cristo não é um peso para as pessoas, mas liberta com a única Lei do amor. Agora somos todos irmãos e irmãs: “Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3,28), pois, não há mas lugar para o egoísmo por que tudo é de todos e a comunidade é de Cristo: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um” (At 2, 44-45). Lucas quer mostrar que Deus Pai, através de Jesus veio também para todos, por isso, o evento de Damasco, real na vida de Paulo, é um exemplo que a mensagem evangélica é universal e vai além do ambiente da Palestina, capaz de atingir o coração de um judeu fariseu, chamado Paulo.
Agora leremos o texto do Ato dos Apóstolos que narra o evento de Damasco, acontecimento que trasformou a existência de Paulo, passando de uma experência de perseguidor, crítico e rigido à uma experiência de amor, perdão, ternura, compaixão, misericórdia, acolhida, bondade, ou seja, assumiu em si “os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Fil 2,5).
De perseguidor a apóstolo - Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao sumo sacerdote, e lhe pediu cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém todos os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho. Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo se viu repentinamente cercado por uma luz que vinha do céu. Caiu por terra, e ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, por que você me persegue?’ Saulo perguntou: ‘Quem és tu, Senhor?’ A voz respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer.’ Os homens que acompanhavam Saulo ficaram cheios de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. Saulo se levantou do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então o pegaram pela mão e o levaram para Damasco. E Saulo ficou três dias sem poder ver, e não comeu nem bebeu nada. (At 1, 1-9)
Continuando o relato, Lucas apresenta Ananias que obedecendo a voz do Senhor vai ao encontro de Paulo como o representantante da Igreja de Damasco, conforme cita o texto seguinte:
Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: ‘Ananias!’ E Ananias respondeu: ‘Aqui estou, Senhor!’ E o Senhor disse: ‘Prepare-se, e vá até a rua que se chama rua Direita e procure, na casa de Judas, um homem chamado Saulo, apelidado Saulo de Tarso. Ele está rezando e acaba de ter uma visão. De fato, ele viu um homem chamado Ananias impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista.’ Ananias respondeu: ‘Senhor, já ouvi muita gente falar desse homem e do mal que ele fez aos teus fiéis em Jerusalém. E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, que recebeu dos chefes dos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome.’ Mas o Senhor disse a Ananias: ‘Vá, porque esse homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do meu nome.' Então Ananias saiu, entrou na casa e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: ‘Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que lhe apareceu quando você vinha pelo caminho, me mandou aqui para que você recupere a vista e fique cheio do Espírito Santo. Imediatamente caiu dos olhos de Saulo alguma coisa parecida com escamas, e ele recuperou a vista. Em seguida Saulo se levantou e foi batizado. Logo depois comeu e ficou forte como antes. (At 9.10 -19a).
2.1.1. Mudança pessoal radical
A partir do evento de Damasco, ou seja, do encontro com Cristo, tentaremos de entrar e captar a experiência mística de Paulo e perceber a sua progressiva e permanente trasformação à semelhança de Cristo.
Na carta aos Coríntios Paulo descreve este processo de trasfiguração, a exemplo do Mestre Jesus, que se “transfigurou diante” (Mc 9,2b) dos seus dícipulos. Assim afirma Paulo: “e nós que, com a face descoberta, refletimos como num espelho a glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente pela ação do Senhor, que é Espírito (2Cor 3,18). De modo que um verdadeiro seguimento do Senhor é possível, pela sua graça, tornamos parecidos a Ele. Este aconteciemnto pode ser testemunhado ao longo da história por muitos discípulos e díscipulas, a exemplo dos santos e santas que deixaram ser trasfigurado por Ele, mediante o dom da graça recebida desde o batismo.
A transfiguração de Paulo[15], ocorre mediante a resposta ao chamado de Deus, “a sua conversão coincide com a sua vocação”[16]. No entanto o encontro de Paulo com Cristo em Damasco não foi simplesmente uma conversão no sentido de arrependimento moral de seus pecados ou uma mudança de religião, como afirma o Cardeal Martini:
Uma (...) idéia falsa ou incompleta é pensar em Damasco somente na ótica de uma conversão moral. Paulo é um grande pecador e a um certo momento compreende o mal que esta fazendo e muda o modo de viver. A conversão a nivel de mudança ético denota a tenas vontade de Paulo, marca a mudança de um caminho interior [17]
Se a interpretação teológica espiritual vai por este caminho é possível que se esteja trilhando uma certa tendência do pelagianismo, onde a mudança de vida se basea no esforço da propria força pessoal, dispensando a graça de Deus. Neste sentido recorda o Papa Bento na Encíclica Deus Caritas Est que o “início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”[18]. Foi este “dom do encontro com Jesus Cristo”[19] e a adesão a seu projeto que trasformou a vida de Paulo.
O processo de adesão ocorreu mediante a iniciatica do agir de Deus em Jesus Cristo. Foi Cristo que veio ao encontro de Paulo: “Saulo, Saulo, por que você me persegue? Saulo perguntou: Quem és tu, Senhor? A voz respondeu: Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer” (At 9, 4-5). Como se vê, “O mistério de Damasco”[20], é uma iniciativa divina que abraça toda a existência humana em todas as dimensões da vida e trasfigura a pessoa ao longo de sua história, mediante a liberdade e a resposta do coração humano que encontra a paz somente quanto reconhece o sentido a origem da vida em seu Criador e Pai.
2.2. Encontro com a Igreja
A partir deste encontro pessoal não há mais nada que não pertença a Cristo, pois, Paulo se sente uma pessoa amada e escolhida, assim afirma na carta aos Gálatas: “Deus, porém, me escolheu antes de eu nascer e me chamou por sua graça. Quando ele resolveu revelar em mim o seu Filho, para que eu o anunciasse entre os pagãos...” (Gl, 1, 15-16). Porém, esta experiência espiritual é vivenciada a partir da dimensão eclesial, sendo a comunidade o ambiente especial para vivência do amor a Cristo, por isso, Paulo é conduzido à comunidade eclesial que antes era perseguida por ele, como afirma na carta aos Coríntios: “...pois persegui a Igreja de Deus” (1Cor 15,9). Podemos afirmar que perseguir a Igreja seria perseguir Cristo. Paulo percebe esta unidade de Cristo e a Igreja, e após recebido por Ananias na comundade, restabelece a comunhão. Neste sentindo podemos intuir que o nosso encontro com Cristo, hoje, passa pela Igreja e que não há um verdadeiro encontro sem a referência a comunidade eclesial.
Notemos que Ananias chama Paulo de meu irmão e o acolhe na comunidade que vive na presença de Cristo Ressuscitado: “Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que lhe apareceu quando você vinha pelo caminho, me mandou aqui para que você recupere a vista e fique cheio do Espírito Santo” (At 9, 17). Esta experiência eclesial marca a espiritualidade de Paulo com Cristo. Ratzinger afirma que para Paulo, “Cristo se torna a razão do seu ser e o motivo profundo de todo seu trabalho apostólico. Nas suas cartas, depois do nome de Deus, que aparece mais de 500 vezes, o nome de Cristo é mencionado (380 vezes)”[21], demostrando que Cristo vive em sua vida. A sua adesão é total, “eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). É nesta direção que se entende a motivação profunda de Paulo e sua alegria em Cristo Ressuscitado em ser missonário evangelizador, fundador de comunidades eclesiais.
2.3. Imitador de Cristo
O convite de Paulo para que seus interlecultores “sejam meus (seus) imitadores” (1 Cor 4,16) não siginifica exatamente que seus ouvintes devam imitá-lo. Certamente esta possível confusão que o leitor pode descuidadosamente assimilar não esta na espiritualidade de Paulo. A questão profunda da imitação de Paulo é a imitação de Cristo. Está é a questão fundamental. “Não se trata de um chamado de pura e simples imitação. “Esta, ao contrário, é uma obediência da fé que consiste em acolher o exemplo de Jesus incarnado que continua a existir, de modo que a obra iluminada e edificada pelo Espírito possa exprimir realmente a vida de Jesus na vida da pessoa de fé”[22]. O Paulo de Cristo deseja somente que todos sejam como ele, ou seja, sigam a Cristo, pois os “ que vivem, já não vivem para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (1Cor 5,15). Paulo não vive mais para si, mas para o Senhor.
Quando Paulo fala da Morte e Ressureição de Cristo, está falando do Mistério da redenção, ou seja, o Jesus que foi morto é o Cristo ressuscitado que vive no meio de nós como diz o próprio Jesus no Evangelho de João: “A paz esteja com vocês”. Depois disse à Tomé: ‘Estenda aqui o seu dedo e veja as minhas mãos. Estenda a sua mão e toque o meu lado. Não seja incrédulo, mas tenha fé’. (Jó 20, 26b-27). Os díscipulos que conviveram com o Senhor vivem na sua presença memorial. É com esta consciência da memória da presença do Senhor em sua vida e na vida da Igreja que Paulo convida os Coríntios e a todos a percorrerem o mesmo caminho do Senhor.
2.3.1. Fraqueza de Paulo
Faz parte da espiritualidade de Paulo a experiência da fraqueza e limite humano, também presente na experiência dos profetas do AT. Assim afirma Paulo: “Me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10). É na fraqueza humana que se ver a força de Deus. Para Paulo estas humilhações e sofrimentos fazem parte do seguimento a Cristo. Este é um outro modo de imitação de Cristo que Paulo se refere e experimentou na sua existência, como ele próprio defeniu: “completando em minha carne o que falta nas tribulações de Cristo, a favor do seu corpo, que é a Igreja”. (Col 1,24). Este modo de viver o Evangelho é um testemunho e um convite a não ter medo de seguir Cristo a partir de sua cruz, ou seja, de seu sofrimento, pois ‘imitar a fraqueza e a força de Cristo significa acolher a força de Deus na própria fraqueza’[23]. Este é o Paulo que se deixar ser possuido pela força de Deus e não pela sua, pois para ser forte em Deus é preciso ser fraco e perder tudo para ganhar Cristo.
Para concluir vejamos na carta aos Coríntios uma pequena amostra que passou Paulo por causa de Cristo ao comunicar o seu Evangelho:
Nós somos fracos, vocês são fortes! Vocês são bem considerados, nós somos desprezados! Até agora passamos fome, sede, frio e maus tratos; não temos lugar certo para morar; e nos esgotamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos amaldiçoados, e abençoamos; perseguidos, e suportamos; caluniados, e consolamos. Até hoje somos considerados como o lixo do mundo, o esterco do universo. (1Cor 4,10-13)
Nota-se a parresia de Paulo diante das dificuldades, pois a sua força vem de Deus em Cristo pelo Espírito Santo. Neste sentido Paulo afirma que é vencedor pela graça de Deus, pois, “em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, (...) nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 8, 37-39). De fato, embora a morte de Paulo tenha parecido um fracasso em sua missão, no entanto, o seu martírio torna-se um exemplo de amor oblativo para todos os cristãos de todas as épocas.
CONCLUSÃO
Nesta breve reflexão teologica-espiritual, contemplamos a vida de Paulo a parti do seu encontro com Cristo. Nota-se que estamos diante de um mistério inesgotável, pois quando mais se reflete mais se ver a profundidade do seu relacionamento com Cristo. Sua amizade com Cristo foi tão grande ao ponto de em sua vida não haver outro espaço, pois toda sua vida foi prenchida por Ele. Paulo demostra isso quando afirma: “eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Diante desta experiência fica o convite para os cristãos que olhando para a experiência de Paulo sintam o desejo pessoal de renovar a sua amizade com Cristo e a Igreja.
INTRODUÇÃO
Iniciamos esta breve reflexão sobre São Paulo recordando do Evangelho de São João quando disse: “O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3, 8). Nesta reflexão contemplaremos a vida de Paulo e veremos que o Espírito de Deus através da comunidade cristã tocou seu coração. Paulo contará que a mudança de sua vida ocorreu devido a um encontro com Cristo.
Este acontecimento será fundamental para todo seu ser ontológico. A mudança não será somente de mentalidade, mas abrangerá toda a sua existência. Depois deste encontro, Paulo integra em sua vida a Vida de Cristo, até sua respiraçao falará de Cristo. Agora o seu viver é Cristo. Com esta paixão por Cristo, Paulo tornará o missionário que irá fora de Jerusalém, indo até os povos considerados pagãos, com afirma Fabris: “Paulo é o protagonista principal (...) que levará a mensagem cristã fora da Palestina e entre os pagãos”[1]. É neste sentido que o sopro do Espirito Santo contagiou toda a vida de Paulo conduzido ao coração de Cristo, mediante a sua liberdade. Paulo aceitou de caminhar com Jesus, viver e comunicar seu Evangelho sendo missionário entre aqueles que ainda não conheciam “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6).
Assim como Jesus sabia, que o Espírito do Pai estava com Ele para anunciar a Boa Nova aos pobres, e mostrou isso lendo o texto do profeta Isaias (61,1-2), não será exagero afirmar, que o mesmo texto escrito por Lucas, serve para ser aplicado a Paulo depois de seu encontro com Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor”. (Luc 4, 18-19).
Foi exatamente o que Paulo realizou em sua atividade missionária. Sua missão foi anunciar o Evangelho, isto é, anunciar a Pessoa de Cristo, crucificado, morto e ressuscitado aos povos. É neste sentido que Paulo afirma: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho”! (1 Cor 9,16). Esta é a missão em todas as épocas da Igreja. Paulo não somente pregou, mas fundou várias comunidades e acompanhou com sua paternidade espiritual, concretizando a palavra falada em carne, ou seja, em Igreja corpo de Cristo.
Veremos agora um breve relato da vida de Paulo para nos situar históricamente. Em seguida analizaremos teologicamente e espiritualmente o seu encontro com Cristo na estrada de Damasco e algumas breves consequências da sua vida a partir de sua trasformação interior, sem esquecer que estamos diante de um agir de Deus que vai além de nossa compreesão, mas que é possível, a exemplo de Paulo, experimentar hoje a mesma experiência de amor.
1. BREVE RELATO DA VIDA DE PAULO
Ao olharmos para a vida na perspectiva do Criador, veremos que Ele tem um plano de amor para cada vida e para toda a natureza. Somos pessoas especiais para o Pai. Ele nos escolheu, pois já estamos presente em seu plano de amor desde toda a eternidade. O profeta Jeremias exprime bem está idéia quando afirma: “antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações”. (Jer 1,5). Certamente Paulo já era um homem escolhido por Deus. No entanto a pessoa pode aceitar o rejeitar o chamado de Deus.
No primeiro encontro de Paulo com a Igreja não houve “adesão, mas uma violenta repulsão”[2]. Este fato ocorreu no encontro com a comunidade cristã durante a morte de Estevão: “Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo” (At 7,58). É provável que testemunho do martírio de Estevão por causa de Cristo, tenha impressionada muito a Paulo. Neste sentido afirma o Papa Bento XVI: “O vínculo profundo que une Cristo ao seu primeiro mártir Estêvão é a Caridade divina: o mesmo Amor que levou o Filho de Deus a despojar-se a si mesmo e a fazer-se obediente até à morte de cruz (cf. Fil 2, 6-8), estimulou depois os Apóstolos e os mártires a dar a vida pelo Evangelho”[3] . Assim como Estevão, muitos cristãos e especialmente Paulo, contagiados pela Caridade divina, ou seja , Cristo, ofereceram suas vidas através do martírio pelo Reino de Deus.
Diante deste encontro, mesmo que violento, do qual Paulo participou, ficou o estímulo e o amor de Estevão por Cristo gravado em sua memória. Na sua experiência da rigorosa aplicaçao da lei, Paulo não havia visto algo semelhante de tamanha doação. Somente depois que Ele faz a experiência com Jesus na estrada de Damasco (At 9,1-19a) reconhece a comunidade eclesial.
1.1. Alguns dados biográficos:
Podemos obter informações biográficas de Paulo, nascimento, cidadania e formação, a partir das suas cartas e dos escritos lucanos dos Atos dos Apótolos.
a) Nascimento: Paulo nasce na cidade de Tarso na província romana da Cilícia no sec. I, d.C[4], provalvelmente entre o ano 5 a 15[5], “aguns anos depois de Cristo”[6]. Tarso era uma cidade muito importante economicamente e culturalmente como afirma o próprio Paulo: “Eu sou judeu, natural de Tarso, na Cilícia, cidadão dessa ilustre cidade” (At 21,39). Paulo era de família judaica e na sua casa se observava rigorosamente os princípios do judaismo farisaico[7], pois sua família pertencia a tribo de Bejamim. Assim afirma Paulo sobre sua experiência no judaismo: “Circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à lei, fariseu” (Fil 3,5).
b) Cidadania: Paulo era cidadão romano e havia dois nomes. A cidadania romana, algo não fácil de obter em uma província romana, Paulo herdou de seus pais que foram prisioneiros de guerra dos romanos e escravos de um romano que lhe concedeu de serem cidadãos romanos, inclusive com direito ao provocatio que dava direito a apelar a um juiz superior em Roma e a muneris publici vacatio que dava o direito de ser dispensado do serviço militar[8]. Quanto ao seu nome, o primeiro, Saulo, é um nome hebraico que faz referência ao primeiro rei de Israel; o segundo, Paulo, é latino e faz parte de sua cidadania romana[9]. Podemos pensar que o nome tavez não represente uma mudança radical e profunda, no entanto para Paulo, depois do encontro com Jesus, nota-se um novo Paulo que deixou a vida passada e permanece no caminho de Cristo. Podemos dizer que agora Paulo é um novo homem, assim ele se descreve:
Mas tudo isso, que para mim eram vantagens, considerei perda por Cristo. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com ele. Não com minha justiça, que vem da lei, mas com a justiça que se obtém pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé. Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos. Não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo (Fil 3, 7-14).
Como se ver na carta aos Filipenses, Paulo é uma nova pessoa, pois deixou tudo aquilo que ele considerava vantagem, possívelmente a sua cidadania romana, para ser um novo cidadão de Cristo. Agora, há em Paulo uma nova cidadania, a celeste, isso significa viver neste mundo com toda a verdade, justiça e amor, a partir da orientaçao celeste, ou seja, de Cristo[10], pois quem está em Cristo é uma nova pessoa como afirma o próprio Paulo: “Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes” (Rm 13, 13).
c) Formação: Paulo nasceu na cidade de Tarso, mas seus estudos foram realizados em Jerusalém, tendo como mestre Gamaliel, “um dos principais dotores judeus do seu tempo”[11]. O próprio Paulo conta sua história: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje” (At 22,3). Como podemos observar Paulo realmente foi preparado por Deus ao longo de sua vida, mesmo quando era judeu e observante da Lei.
Segundo Kliesch, para Paulo,
O amor pela lei e o sentir-se pleno do espírito e da força da religião judaica, deve ter provocado nele, já a tempo, o desejo de torna-se um futuro doutor da lei. Provavelmente por este motivo aprendeu a atividade de tecedor de tendas (...) ou fabricador de tendas (At 18,3), porque um doutor da lei era obrigado a desenvolver a sua função gratuitamente[12].
Como judeu fariseu, observante da lei judaica, Paulo não estava longe de Deus, apenas tinha absolvido com fidelidade e fanatismo a Lei, ao ponto de impor a sim mesmo para cumprimento rigoroso dos preceitos. Nesse sentido afirma o Papa Bento XVI: “Paulo, antes da sua conversão não era um homem longe de Deus e da sua Lei. Ao contrário, era um observante, com uma observância fiel, fim ao fanatismo. Na luz do encontro com Cristo compreende, porém, que havia procurado construir a si mesmo, a sua própria justiça, e com esta justiça vivia para si memo”[13]. Graça a luz de Cristo e abertura de seu coração, Paulo inicia um novo olhar sobre si a parti de Deus.
Nota-se que o mesmo vigor, entusiamo e dedicação, próprio da existência de Paulo, vão continuar com ele, porém a sua energia pessoal não será mais sua, mas de Cristo. Agora tudo em sua vida é de Cristo, como diz após sua o acontecimento de Damasco: ”Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fil 1,21) ou “eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Paulo não é anulado, mas trasformado a imagem de Cristo, a qual é chamado todo ser humano.
2. ENCONTRO COM CRISTO
Os dados acima da vida de São Paulo nos situa em um contexto histórico. Isso significa que Paulo viveu em uma determindada época e em um contexto muito encarnado na história. Isso pra dizer que se trata de um acontecimento humano-divino que continua a ocorrer na vida daqueles que respondem sim ao chamdo de Deus. O evento salvífico ocorrido na vida de Paulo esta na linha da tradição bíblica do AT. É Deus que se revela ao seu povo.
Neste sentido podemos recordar o chamado de Moisés, Jáco, Samuel e tantos que ouviram a voz do Senhor. Muitas, assim como Paulo não aceitaram o agir de Deus no primeiro momento, talvez por imcompressão e limite humano. Paulo percebeu a ação de Deus em sua vida no processo da caminhada. Foi na estrada de Damasco, quando Paulo estava em uma missão para prender os cristãos, que ocorreu o Econtro com Cristo que trasformou a sua vida. Certamente não foi um acontecimento mágico, mas um Encontro onde Paulo percebeu que, perseguindo a Igreja, estava perseguindo Cristo. O acontecimento de Damasco revelou à Paulo a presença e a voz de Deus. Talvez, hoje, seja também assim. Somente através de um acontecimento forte em nossa vida sejamos capazes de nos abrir às exigências de seu amor. Seguindo esta linha do encontro de Deus com os seus eleitos, contemplaremos o evento de Damasco numa pespectiva teológica esperitual.
2.1. Evento de Damasco
Meditaremos espiritual e teologicamene o evento de Damasco a partir dos escritos Lucanos e de alguns textos das cartas de Paulo. Recordemos que a intenção de Lucas nos Atos dos Apóstolos não é fazer uma reportagem ou uma crônica, mas apresentar uma composição literária que obedece a uma certa visão da história e do plano de Deus que guia a história humana[14]. Lucas apresenta a experiência da comunidade primitiva a Luz do Espírito Santo. De uma Igreja que se abre a todos os povos e nações, ou seja, sair de Jerusalém, obedecendo ao apelo de Jesus que mandou anunciar o Evangelho a todos os povos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28, 18-19). Uma Igreja missionária iluminada pelo Espírito Santo.
É nesta perspectiva eclesial e teológica que Lucas apresenta o relato do encontro de Paulo com Cristo na estrada de Damasco. Uma Igreja que caminha, perserguida e mártire, mas que se sente feliz por saber que o Filho de Deus morto e ressuscitado caminha no meio da comunidade e dá sentido ao novo modo de viver. Cristo não é um peso para as pessoas, mas liberta com a única Lei do amor. Agora somos todos irmãos e irmãs: “Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3,28), pois, não há mas lugar para o egoísmo por que tudo é de todos e a comunidade é de Cristo: “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um” (At 2, 44-45). Lucas quer mostrar que Deus Pai, através de Jesus veio também para todos, por isso, o evento de Damasco, real na vida de Paulo, é um exemplo que a mensagem evangélica é universal e vai além do ambiente da Palestina, capaz de atingir o coração de um judeu fariseu, chamado Paulo.
Agora leremos o texto do Ato dos Apóstolos que narra o evento de Damasco, acontecimento que trasformou a existência de Paulo, passando de uma experência de perseguidor, crítico e rigido à uma experiência de amor, perdão, ternura, compaixão, misericórdia, acolhida, bondade, ou seja, assumiu em si “os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Fil 2,5).
De perseguidor a apóstolo - Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao sumo sacerdote, e lhe pediu cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém todos os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho. Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo se viu repentinamente cercado por uma luz que vinha do céu. Caiu por terra, e ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, por que você me persegue?’ Saulo perguntou: ‘Quem és tu, Senhor?’ A voz respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer.’ Os homens que acompanhavam Saulo ficaram cheios de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. Saulo se levantou do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então o pegaram pela mão e o levaram para Damasco. E Saulo ficou três dias sem poder ver, e não comeu nem bebeu nada. (At 1, 1-9)
Continuando o relato, Lucas apresenta Ananias que obedecendo a voz do Senhor vai ao encontro de Paulo como o representantante da Igreja de Damasco, conforme cita o texto seguinte:
Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: ‘Ananias!’ E Ananias respondeu: ‘Aqui estou, Senhor!’ E o Senhor disse: ‘Prepare-se, e vá até a rua que se chama rua Direita e procure, na casa de Judas, um homem chamado Saulo, apelidado Saulo de Tarso. Ele está rezando e acaba de ter uma visão. De fato, ele viu um homem chamado Ananias impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista.’ Ananias respondeu: ‘Senhor, já ouvi muita gente falar desse homem e do mal que ele fez aos teus fiéis em Jerusalém. E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, que recebeu dos chefes dos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome.’ Mas o Senhor disse a Ananias: ‘Vá, porque esse homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do meu nome.' Então Ananias saiu, entrou na casa e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: ‘Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que lhe apareceu quando você vinha pelo caminho, me mandou aqui para que você recupere a vista e fique cheio do Espírito Santo. Imediatamente caiu dos olhos de Saulo alguma coisa parecida com escamas, e ele recuperou a vista. Em seguida Saulo se levantou e foi batizado. Logo depois comeu e ficou forte como antes. (At 9.10 -19a).
2.1.1. Mudança pessoal radical
A partir do evento de Damasco, ou seja, do encontro com Cristo, tentaremos de entrar e captar a experiência mística de Paulo e perceber a sua progressiva e permanente trasformação à semelhança de Cristo.
Na carta aos Coríntios Paulo descreve este processo de trasfiguração, a exemplo do Mestre Jesus, que se “transfigurou diante” (Mc 9,2b) dos seus dícipulos. Assim afirma Paulo: “e nós que, com a face descoberta, refletimos como num espelho a glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente pela ação do Senhor, que é Espírito (2Cor 3,18). De modo que um verdadeiro seguimento do Senhor é possível, pela sua graça, tornamos parecidos a Ele. Este aconteciemnto pode ser testemunhado ao longo da história por muitos discípulos e díscipulas, a exemplo dos santos e santas que deixaram ser trasfigurado por Ele, mediante o dom da graça recebida desde o batismo.
A transfiguração de Paulo[15], ocorre mediante a resposta ao chamado de Deus, “a sua conversão coincide com a sua vocação”[16]. No entanto o encontro de Paulo com Cristo em Damasco não foi simplesmente uma conversão no sentido de arrependimento moral de seus pecados ou uma mudança de religião, como afirma o Cardeal Martini:
Uma (...) idéia falsa ou incompleta é pensar em Damasco somente na ótica de uma conversão moral. Paulo é um grande pecador e a um certo momento compreende o mal que esta fazendo e muda o modo de viver. A conversão a nivel de mudança ético denota a tenas vontade de Paulo, marca a mudança de um caminho interior [17]
Se a interpretação teológica espiritual vai por este caminho é possível que se esteja trilhando uma certa tendência do pelagianismo, onde a mudança de vida se basea no esforço da propria força pessoal, dispensando a graça de Deus. Neste sentido recorda o Papa Bento na Encíclica Deus Caritas Est que o “início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”[18]. Foi este “dom do encontro com Jesus Cristo”[19] e a adesão a seu projeto que trasformou a vida de Paulo.
O processo de adesão ocorreu mediante a iniciatica do agir de Deus em Jesus Cristo. Foi Cristo que veio ao encontro de Paulo: “Saulo, Saulo, por que você me persegue? Saulo perguntou: Quem és tu, Senhor? A voz respondeu: Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer” (At 9, 4-5). Como se vê, “O mistério de Damasco”[20], é uma iniciativa divina que abraça toda a existência humana em todas as dimensões da vida e trasfigura a pessoa ao longo de sua história, mediante a liberdade e a resposta do coração humano que encontra a paz somente quanto reconhece o sentido a origem da vida em seu Criador e Pai.
2.2. Encontro com a Igreja
A partir deste encontro pessoal não há mais nada que não pertença a Cristo, pois, Paulo se sente uma pessoa amada e escolhida, assim afirma na carta aos Gálatas: “Deus, porém, me escolheu antes de eu nascer e me chamou por sua graça. Quando ele resolveu revelar em mim o seu Filho, para que eu o anunciasse entre os pagãos...” (Gl, 1, 15-16). Porém, esta experiência espiritual é vivenciada a partir da dimensão eclesial, sendo a comunidade o ambiente especial para vivência do amor a Cristo, por isso, Paulo é conduzido à comunidade eclesial que antes era perseguida por ele, como afirma na carta aos Coríntios: “...pois persegui a Igreja de Deus” (1Cor 15,9). Podemos afirmar que perseguir a Igreja seria perseguir Cristo. Paulo percebe esta unidade de Cristo e a Igreja, e após recebido por Ananias na comundade, restabelece a comunhão. Neste sentindo podemos intuir que o nosso encontro com Cristo, hoje, passa pela Igreja e que não há um verdadeiro encontro sem a referência a comunidade eclesial.
Notemos que Ananias chama Paulo de meu irmão e o acolhe na comunidade que vive na presença de Cristo Ressuscitado: “Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que lhe apareceu quando você vinha pelo caminho, me mandou aqui para que você recupere a vista e fique cheio do Espírito Santo” (At 9, 17). Esta experiência eclesial marca a espiritualidade de Paulo com Cristo. Ratzinger afirma que para Paulo, “Cristo se torna a razão do seu ser e o motivo profundo de todo seu trabalho apostólico. Nas suas cartas, depois do nome de Deus, que aparece mais de 500 vezes, o nome de Cristo é mencionado (380 vezes)”[21], demostrando que Cristo vive em sua vida. A sua adesão é total, “eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). É nesta direção que se entende a motivação profunda de Paulo e sua alegria em Cristo Ressuscitado em ser missonário evangelizador, fundador de comunidades eclesiais.
2.3. Imitador de Cristo
O convite de Paulo para que seus interlecultores “sejam meus (seus) imitadores” (1 Cor 4,16) não siginifica exatamente que seus ouvintes devam imitá-lo. Certamente esta possível confusão que o leitor pode descuidadosamente assimilar não esta na espiritualidade de Paulo. A questão profunda da imitação de Paulo é a imitação de Cristo. Está é a questão fundamental. “Não se trata de um chamado de pura e simples imitação. “Esta, ao contrário, é uma obediência da fé que consiste em acolher o exemplo de Jesus incarnado que continua a existir, de modo que a obra iluminada e edificada pelo Espírito possa exprimir realmente a vida de Jesus na vida da pessoa de fé”[22]. O Paulo de Cristo deseja somente que todos sejam como ele, ou seja, sigam a Cristo, pois os “ que vivem, já não vivem para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (1Cor 5,15). Paulo não vive mais para si, mas para o Senhor.
Quando Paulo fala da Morte e Ressureição de Cristo, está falando do Mistério da redenção, ou seja, o Jesus que foi morto é o Cristo ressuscitado que vive no meio de nós como diz o próprio Jesus no Evangelho de João: “A paz esteja com vocês”. Depois disse à Tomé: ‘Estenda aqui o seu dedo e veja as minhas mãos. Estenda a sua mão e toque o meu lado. Não seja incrédulo, mas tenha fé’. (Jó 20, 26b-27). Os díscipulos que conviveram com o Senhor vivem na sua presença memorial. É com esta consciência da memória da presença do Senhor em sua vida e na vida da Igreja que Paulo convida os Coríntios e a todos a percorrerem o mesmo caminho do Senhor.
2.3.1. Fraqueza de Paulo
Faz parte da espiritualidade de Paulo a experiência da fraqueza e limite humano, também presente na experiência dos profetas do AT. Assim afirma Paulo: “Me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,10). É na fraqueza humana que se ver a força de Deus. Para Paulo estas humilhações e sofrimentos fazem parte do seguimento a Cristo. Este é um outro modo de imitação de Cristo que Paulo se refere e experimentou na sua existência, como ele próprio defeniu: “completando em minha carne o que falta nas tribulações de Cristo, a favor do seu corpo, que é a Igreja”. (Col 1,24). Este modo de viver o Evangelho é um testemunho e um convite a não ter medo de seguir Cristo a partir de sua cruz, ou seja, de seu sofrimento, pois ‘imitar a fraqueza e a força de Cristo significa acolher a força de Deus na própria fraqueza’[23]. Este é o Paulo que se deixar ser possuido pela força de Deus e não pela sua, pois para ser forte em Deus é preciso ser fraco e perder tudo para ganhar Cristo.
Para concluir vejamos na carta aos Coríntios uma pequena amostra que passou Paulo por causa de Cristo ao comunicar o seu Evangelho:
Nós somos fracos, vocês são fortes! Vocês são bem considerados, nós somos desprezados! Até agora passamos fome, sede, frio e maus tratos; não temos lugar certo para morar; e nos esgotamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos amaldiçoados, e abençoamos; perseguidos, e suportamos; caluniados, e consolamos. Até hoje somos considerados como o lixo do mundo, o esterco do universo. (1Cor 4,10-13)
Nota-se a parresia de Paulo diante das dificuldades, pois a sua força vem de Deus em Cristo pelo Espírito Santo. Neste sentido Paulo afirma que é vencedor pela graça de Deus, pois, “em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, (...) nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 8, 37-39). De fato, embora a morte de Paulo tenha parecido um fracasso em sua missão, no entanto, o seu martírio torna-se um exemplo de amor oblativo para todos os cristãos de todas as épocas.
CONCLUSÃO
Nesta breve reflexão teologica-espiritual, contemplamos a vida de Paulo a parti do seu encontro com Cristo. Nota-se que estamos diante de um mistério inesgotável, pois quando mais se reflete mais se ver a profundidade do seu relacionamento com Cristo. Sua amizade com Cristo foi tão grande ao ponto de em sua vida não haver outro espaço, pois toda sua vida foi prenchida por Ele. Paulo demostra isso quando afirma: “eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Diante desta experiência fica o convite para os cristãos que olhando para a experiência de Paulo sintam o desejo pessoal de renovar a sua amizade com Cristo e a Igreja.
Outro aspecto fundamental da espiritualidade de Paulo é o seu ser missionário. O seu envolvimento pessoal com o Senhor o entusiasma no seu ministério evangelizador a ir ao encontro daqueles que ainda não conheciam Jesus e seu Evangelho. De modo que quanto maior o amor por Jesus, tanto maior o desejo de proclmá-lo a todos. Neste sentido, mais um vez o exemplo de Paulo a ser seguido nos desafia a missão.
Para finalizar, esta breve reflexão é uma contribuiçao neste ano Paulino e ao mesmo tempo um convite a todos os cristãos para aprofunda a riqueza do Mistério de Deus que envolveu Paulo.
[1] FABRIS, Rinaldo. Atti degli apostoli, Roma, Borla, 1984. p. 289.
[2] RATZINGER, J. Paolo L’Apostolo delle genti, Milano, 2008, p.38
[3] PAPA BENTO XVI. Angelus, festa litúrgica de santo estêvão protomártir, 26.12.207.
[4] Cf. BRUCE, F.F. Paolo negli atti e nelle lettere, in: Dizionario di Paolo e delle sue lettere, a cura di Hawthorne, F.G., Martin, R.P., Reid, G.D., Milano, San Paolo, 1999, p. 1134.
[5] Cf. GIOIA, Francesco. Paolo di Tarso, l’apostolo che tutti devono conoscere, Roma, Libreria Editrice Vaticana, 2002, p. 7.
[6] KLIESCH, Klaus. Gli atti degli Apostoli, Assisi, Cittadella Editrice, 1991, p. 115.
[7] Cf.IDEM. p. 116.
[8] Cf. REASONER, M. Cittadinanza, romana e celeste, in: Dizionario di Paolo e delle sue lettere, a cura di Hawthorne, F.G., Martin, R.P., Reid, G.D., Milano, San Paolo, 1999, p. 250.
[9] Cf. GIOIA, Francesco. Paolo di Tarso, l’apostolo che tutti devono conoscere, p. 116.
[10] Cf. REASONER, M. Cittadinanza, romana e celeste, in: Dizionario di Paolo e delle sue lettere, a cura di Hawthorne, F.G., Martin, R.P., Reid, G.D., Milano, San Paolo, 1999, p. 251.
[11] BRUCE, F.F. Paolo negli atti e nelle lettere, in: Dizionario di Paolo e delle sue lettere, a cura di Hawthorne, F.G., Martin, R.P., Reid, G.D., Milano, San Paolo, 1999, p. 1135.
[12] Cf. GIOIA, Francesco. Paolo di Tarso, l’apostolo che tutti devono conoscere, Roma, Libreria Editrice Vaticana, 2002, 116.
[13] RATZINGER, J. Paolo L’Apostolo delle genti, Milano, 2008, p. 29
[14] Cf. FABRIS, Rinaldo. Atti degli apostoli, Roma, Borla, 1984, p. 19.
[15] Cf. MARTINI, C. M. Las confesiones de san Pablo, Bogotá, San Pablo, 2005. p. 9-106.
[16] FABRIS, Rinaldo. Atti degli apostoli, Roma, Borla, 1984, p. 297.
[17] MARTINI, C. M. Las confesiones de san Pablo, Bogotá, p. 16-18
[18] PAPA BENTO XVI. Carta encíclica Deus caritas est, n. 1
[19] Conselho Episcopal Latino-Americano. Documento de Aparecida: texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Brasília, São Paulo: CNBB, Paulinas, Paulus, 2007. p. 15.
[20] Cf.MARTINI, C. M. Las confesiones de san Pablo. p. 19-24
[21] RATZINGER, J. Paolo L’Apostolo delle genti, Milano, 2008, p. 26.
[22] MEYE, R.P. Spiritualità, in: Dizionario di Paolo e delle sue lettere, a cura di Hawthorne, F.G., Martin, R.P., Reid, G.D., Milano, San Paolo, 1999,p. 1511.
[23] FOWL, S.E. Imitazione di Paolo, di Cristo, Dizionario di Paolo e delle sue lettere, a cura di Hawthorne, F.G., Martin, R.P., Reid, G.D., Milano, San Paolo, 1999, p. 838.
REFERÊNCIAS
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http://www.paulus.com.br/BP/_INDEX.HTM
Conselho Episcopal Latino-Americano. Documento de Aparecida: texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Brasília, São Paulo: CNBB, Paulinas, Paulus, 2007.
GIOIA, Francesco. Paolo di Tarso, l’apostolo che tutti devono conoscere. Roma, Libreria Editrice Vaticana, 2002.
MEYE, R.P. Spiritualità. In: Dizionario di Paolo e delle sue lettere, a cura di Hawthorne, F.G., Martin, R.P., Reid, G.D., Milano, San Paolo, 1999.
MARTINI C. M. Las confesiones de san Pablo. Bogotá, San Pablo, 2005.
PAPA BENTO XVI. Angelus, festa litúrgica de santo estêvão protomártir. 26.12.2007. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/angelus/2007/documents/hf_ben-xvi_ang_20071226_st-stephen_po.html. Acesso 16 jun 08.
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