Lc 14, 1.7-14
Geraldo Ferreira Bendaham
Geraldo Ferreira Bendaham
A Palavra de Deus por si só já diz tudo. Temos somente que obedecer e seguir seus ensinamentos e seremos felizes em nossa existência. Na Palavra de hoje, Jesus oferece mais um ensinamento: “quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos” da cidade e do interior. Estas pessoas necessitadas eram deixadas à margem pela sociedade do tempo de Jesus, tanto por parte dos religiosos da época, representada na parábola pelos fariseus, como pela organização social dos governantes. Havia um ciclo maldito que impedia as pessoas necessitadas de terem oportunidades para se integrarem na sociedade e viverem com dignidade. Por serem pobres não podiam pagar o dizimo ao templo ou as taxas para o governo. Se não tinham recursos não eram abençoadas por Deus e continuavam pobres. É neste contexto que Jesus prega o Reino, invertendo a lógica do banquete. No banquete dos fariseus somente pessoas influentes e importantes eram convidadas. Exibiam-se disputando os melhores lugares a mesa ou na sociedade. No banquete aconselhado por Jesus os convidados devem ser “os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos”. Neste banquete do Reino todos têm vez e oportunidades para viverem. São todos irmãos e irmãs e ninguém passar necessidades ou é excluído da vida. Exige conversão de mentalidade e coração. Recordemos que Jesus nos deu vários exemplos: curando os doentes, devolvendo-lhes saúde e integrando-os ao convívio social; acolhendo os pecadores e abrindo os olhos aos cegos para que possam enxergar a si, o outro e a Deus. De modo que as atitudes de arrogância, desprezo pelos pobres, falta de sensibilidade e solidariedade com o próximo e a busca pelo primeiro lugar desqualifica o sujeito de participar do banquete do Reino. Por isso Jesus afirma: “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.
“Não tomes o primeiro lugar”. Em nossa sociedade a busca pelo primeiro lugar, a fama e o prestigio foi sempre um anseio humano em todas as épocas históricas da humanidade, mesmo que tenha de pagar um preço alto. Assim funcionam muitas organizações econômicas, sociais, políticas e religiosas. Agem da mesma forma as marcas de produtos, serviços ou idéias tentando com estratégias diversas ocupar o primeiro lugar na mente das pessoas. Predomina de certa maneira a tendência do ter para ser mais forte e poderoso. No capitalista o pensamento econômico de mercado contagiou a muitos e determina comportamentos e decisões na vida. O importante é o resultado econômico da estratégia planejada em grandes banquetes que considera o lucro mais importante em detrimento da dignidade das pessoas, não obstante, algumas tímidas iniciativas de políticas de responsabilidades sociais e ambientais que servem apenas para calar a consciência empresarial.
Lamentavelmente, o cenário político da sociedade brasileira pode ilustrar muito essa busca desenfreada pelo primeiro lugar, principalmente em época de eleição. É fácil constatar no grupo farisaico dos políticos, com rara exceção, a busca desenfreada pelo primeiro lugar, mesmo que tenham de roubar o dinheiro do povo para enriquecimento pessoal e elícito; pagam grandes jantares as pessoas escolhidas; se dizem pessoas da lei, mas driblam a lei e compram votos dos pobres; sabem que se forem pegos, podem se esconder atrás do dinheiro e de amigos importantes em outros poderes. Uma cascata de impunidades ocorre também em outros setores da sociedade.
Nesse sentido os ensinamentos evangélicos de Jesus são luzes que eliminam a avidez pelo primeiro lugar e sacia toda busca humana. Urge uma profunda experiência do Evangelho pelos cristãos e comunidades, sem repetir atitudes farisaicas, tornando-se através do testemunho evangélico sinal do Reino na sociedade.

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