Lc 10, 38-42
Geraldo Ferreira Bendaham
No Evangelho deste domingo Jesus é o próximo acolhido em casa. Na casa há duas mulheres com atitudes, gestos e palavras diferentes. As duas dialogam com Jesus. Uma se chama Maria e a outra Marta. Maria deixou tudo para escutar a Palavra de Jesus. Marta, ao contrario, não parava de trabalhar, inclusive teve a coragem de questionar Jesus porque sua irmã não lhe ajudava no serviço e ainda ordenou a Jesus: diga a ela que me ajude.
As duas posturas são verdadeiras quando se integram e formam uma unidade. A imagem ideal que representa essa postura evangélica é a imagem do matrimônio: duas pessoas diferentes, um só coração unido pelo amor. Uma aliança perfeita da fé com a vida. Um outro jeito de ver essa unidade na ação evangélica ocorre quando realizamos comunhão, participação e missão. Não são três blocos separados, mas intrínsecos. Olhar desse modo o evangelho de hoje, ajuda a eliminar uma tendência a visão maniqueísta da realidade evangélica, ou seja, fazer exageradamente tudo de um lado por que é bom e condenar a outra parte. Isso significa que uns preferem trabalhar e outros a orar. O caminho seguro, com absoluta certeza é o equilíbrio da unidade interior em nossas ações pastorais. Nos evangelhos podemos perceber Jesus, em suas ações, integrando a realidade em sua vida. Não existe duas vidas. Uma que ora ao Pai e outra que trabalha. Mas uma só pessoa com duas dimensões, vivendo a serviço Reino.
No entanto, olhando para realidade, sobretudo, socioeconômico podemos constatar que ocorre um certo exagero em fazer coisas. As pessoas adultas estão sempre procurando algo para fazer. Os comércios, os serviços e as industrias funcionam diuturnamente em todo o mundo. Não se pode parar. O tempo é dinheiro. As coisas se tornaram um feiticismo. Com certeza é preciso estudar, trabalhar, negociar, passear e festejar, mas não se pode absolutizar essa realidade como se fosse a única verdade na vida. O problema esta na absolutizacão das coisas. Muitas pessoas estão amando as coisas mais que a Deus e ainda reclamam de Deus que não ajuda. Sejam elas pastorais, sociais, econômicas ou afetivas.
É nesse sentido que Jesus chama atenção de Marta que anda muita preocupada e agitada com os serviços de casa. Para os cristãos e cristãs, não tem sentido essas preocupações se não for regada com a Palavra de Deus. Somos convidados a ouvir o Senhor para melhor servir as pessoas.

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